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sábado, 18 de fevereiro de 2012

Curso capacita radialistas comunitários da região Inhamuns

Radialistas comunitárias de Crateús e Inhamuns participam do curso Programação Radiofônica Comunitária e Educativa. A formação, no dia 24 de fevereiro, no Centro Diocesano de Treinamento de Crateús, resgatará e fortalecerá o espírito contestatório, público e educativo das emissoras. “Durante o curso apresentamos as características da comunicação comunitária, a história das rádios livres e comunitárias e o papel social e educativo”, explica o coordenador executivo da Abraço Ceará Ismar Capistrano. Já o coordenador de mobilização e organização, Sérgio Lira, afirma que o fortalecimento do espírito comunitário das emissoras é fundamental.

A capacitação deverá reunir 25 radialistas. A Rádio Camponesa de Crateús está sediando o evento. A emissora pertence ao assentamento do Movimento Sem Terra no município. “Temos uma preocupação de qualificarmos nossos comunicadores para oferecermos a melhor programação possível para nossos ouvintes”, afirma Pedro Silva, coordenador da Camponesa Fm.

O curso foi uma demanda do planejamento participativo da Abraço Ceará realizado nas cinco regionais e consolidado pela coordenação completa. A formação já foi realizada em Jaguaruana para as emissoras do Vale do Jaguaribe e deverá ser realizado em Crato para a região Cariri; Iguatu, região Centro Sul; Aratuba, Maciço de Baturité; Quixadá, Sertão Central e Sobral, região Norte.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Rádio Comunidade DM, experiência que quer se renovar

E por que é difícil a concessão para as ondas no ar, mais uma vez, optaram pelas caixinhas de som espalhadas por todo o bairro... Dessa vez, foi no Dias Macedo. A experiência de radiocomunicação comunitária surgiu primeiro de uma rádio evangélica, a 100% Jesus, cuja primeira transmissão foi exatamente no mesmo dia da primeira transmissão brasileira de radiodifusão. 7 de setembro. O ano foi 1997. A Rádio que já trabalhava pela Comunidade, liderada pelo padre Giovani, obteve conquistas como o semáforo da Avenida Alberto Craveiro com a rua Pedro Dantas. Depois, no final de década de 1990, surge a Associação de Moradores do Dias Macedo e rebenta a Rádio Comunidade.

Humberto de Souza, um dos membros fundadores abrange o leque da programação. Esporte, notícias, músicas dos mais diferentes ritmos e estilos, além da assistência à comunidade substituem de vez a programação prioritariamente religiosa.

Mas nem tudo agrada a todos, como conta José Urbani, um dos voluntários que mantém a rádio em pé. São cerca de 50 caixas de som instaladas nos postes pelas ruas do bairro. Acordadas entre os vizinhos elas transmitem os programas que vão das 7h às 19h. “Uma bichinha dessas é cara, só é feia, mas é cara”, brinca Seu Manoel, outro voluntário da Rádio Comunidade.

Todo o trabalho é voluntário ali. E essa é uma das grandes dificuldades para a manutenção do meio. Pessoas com disponibilidade e qualificação faltam. Urbani e Manoel explicam que se estudantes de Comunicação Social pudessem auxiliar com as tarefas, trazendo novas idéias e o conhecimento que têm, a rádio poderia ampliar seu trabalho.

Os trabalhadores da rádio vislumbram alargar a comunicação no bairro. Pretendem montar a TV Comunidade. Já possuem alguns equipamentos, como câmera, microfones, ilha de edição, mas mais uma vez, faltam os recursos humanos.

Conhecimento Comunitário

Quem tiver interesse em trabalhar voluntariamente e aprender com a experiência de mais de dez anos de comunicação comunitária que existe no Dias Macedo, basta entrar em contato. Segue:

Site: www.amdiasmacedo.org

e-mail: amdm@amdiasmacedo.org

Telefone: 3469 - 9156


Por Sâmila Braga Chaves

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Soltas ou em caixinhas: rádio comunitárias e as dificuldades

Como consta no site do Ministério das Comunicações, em Fortaleza, hoje, estão registradas apenas dez rádios comunitárias que tem de dividir uma só faixa de som. Quando sequer isso conseguem, partem rumo a alternativas como as caixas de áudio ou radiadoras. Tendo de se equilibrarem numa vigilância constante até a (próxima) vez em que serão fechadas. A iniciativa individual de alguns cidadãos é, na maioria dos casos, o sustentáculo desses veículos populares.

Rádio Dendê, no bairro Edson Queiróz, rádio Dias Macedo, no bairro homônimo e rádio Pólo FM, no Conjunto Ceará, são alguns exemplos desse meio comunitário que ainda se sustentam sem muitos ou quase nenhum auxilio financeiro e promovendo intervenções na e com a comunidade.

No Dendê, desde 1993, a rádio serve de instrumento mobilizador que interfere até mesmo no aspecto econômico. Como confirma João Ribeiro, um dos fundadores da rádio, os equipamentos estão aos poucos se digitalizando e a programação é composta tanto por pessoas que moram no bairro como por estudantes universitários de faculdades vizinhas. Não é difícil encontrar o portão da casa que abriga a rádio aberto. Entre notícias e músicas, o microfone fica acessível para informações de relevância da comunidade. Eudes de Castro, presidente da Liga de Esportes do bairro, anuncia num sábado de manhã a competição amadora de futebol que já tem data marcada. Alunos de enfermagem da Universidade de Fortaleza fazem programas didáticos sobre saúde, no decorrer da semana. Das oito da manhã às nove da noite, esses são alguns dos exemplos da rotina de programação que mantém João e Leandro, os irmãos que fundaram e conservam a rádio.

Já mais escondida, sem placa ou indicação, fica a rádio Pólo FM. Iniciativa de um morador do bairro meio embala os residentes pelas ondas de quase todas as etapas do Conjunto Ceará. O morador é Valdeci Martins, que tem hoje a ajuda do filho, estudante de Comunicação Social, na produção de spots e jingles, por exeemplo. Também sem quase nenhum patrocínio, a Pólo FM realiza vez ou outra eventos sócio-culturais na Quadra do Pólo de lazer do setor. Como shows e apresentações de hip-hop.

Como a Dendê, a rádio Dias Macedo se utliza das radiadoras espalhadas por todo o bairro para emitir suas mensagens. Ou mesmo pela internet. Uma grade diversificada enumera desde os vários programas evangélicos aos de hip-hop. Chegou até a apresentar divergências quanto aos gêneros musicais que veicula, como conta um dos radialistas responsáveis, José Urbani.

Toda a dificuldade financeira enfrentada reside na própria legislação reguladora. O déficit de direitos das rádios comunitárias é alto. A Lei 9.612/98 não dá isonomia com relação às emissoras comerciais, restringe o apoio econômico e condena à limitações técnicas. Dessa forma o crescimento e manutenção da rádio e da comunidade se anulam. E como defendem teóricos como Raquel Paiva, o direito de se exercer a cidadania pela comunicação cai.


Por Sâmila Braga Chaves