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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Internet Radical

Por Henrique Gonzaga e Rones Maciel

A internet tem na sua essência a troca de informações. Porém, essa interação, desde o surgimento entre os anos 1970 e 1980, mesmo com fins militares, buscava no campo da pesquisa nas universidades, promover a troca e o intercâmbio de ideias. Diferente do rádio e da TV, ela pode tomar proporções desordenadas ou caiu nas mãos do povo e promover uma revolução. A internet, antes, apenas com fins de pesquisa e comunicação, se populariza nos anos 1990 e torna-se o que e hoje, claro, com maior amplitude e dinamismo, mesmo sem chegar a todos.

Assim surge a mídia radical, tendo na internet o espaço para popular e aberto para todos, mesmo com suas limitações impostas pelos provedores e governos de olho nos conteúdos que circula pela rede mundial de computadores. Ela pode se tornar um elemento, uma ferramenta para dar voz a pequenos movimentos sem vozes nos grandes meios de comunicação. As causas de negros, gays ou movimentos sem terra podem lutar pelos seus direitos e utilizando um bem que é de todos: a liberdade de expressão.

Para que haja essa transformação social é preciso democratizar o meio ou meios. A internet toma espaço não mais de mediador, intermediário, mas sim, o canal para a emissão, recepção e emissão. O emissor e receptor torna-se um só.

Ações como ter uma rádio comunitária, que antes era proibida graça a Lei que regulamenta as rádios comunitárias no Brasil, ou simplesmente porque grupos políticos e de comunicação não deixam que essas emissoras possam funcionar como é de direito, a internet faz valer o direito de se expressar. Exemplo disso é o site do bairro Ellery, em Fortaleza. A associação do bairro manteve uma rádio comunitária no ar, a Mandacaru FM. Sem poder se manter e grandes custos com manutenção e pessoal, obrigou a grupo fechar a única voz com grande amplitude da comunidade. Porém, isto não foi suficiente para calar os moradores do Ellery, hoje o site é mantido pela comunidade, além dos serviços sociais, a emissora em formato radioweb.


Página inicial do bairro Ellery, em Fortaleza

Tudo que acontece na comunidade e de relevante está presente na radioweb e no site da comunidade. A informação não tem mais intermediário, não necessitada depender que emissora X vá à comunidade para noticiar, na sua maioria das vezes, a violência local. O conteúdo além de ser da realidade do bairro, a leitura dos fatos é feita pelos próprios para os próprios moradores.

Mesmo com toda a integração da comunidade, a internet ainda custa caro e não é para todos. O acesso caro faz com que a exclusão social reflita na exclusão digital. A lan house, as poucas que ainda existem, é a única forma de acesso para muitas pessoas que não têm condições de comprar um computador, e se compra, não tem as condições para pagar uma internet de qualidade.

O acesso não é o único problema. Mesmo com acesso, há ainda alguns fatores que não contribuem nesse processo de democratização da comunicação. Competências técnica, cognitiva e cultural interferem na inclusão digital. A Técnica estaria para uso das ferramentas digitais, desde equipamentos como câmeras, gravadores às plataformas e soft de computadores para edição e melhor uso das plataformas de disponibilizar conteúdos; A cognitiva seria o planejamento, a gestão e de que forma organizacional essas ferramentas digitais trazem de retorno para usuário, seja ele individual ou coletivamente; e por fim, a cultural, que com o uso dessas tecnologias para fins de manifestação, troca de conhecimento, validação e atuação social e política por meio das tecnologias da informação.

Mesmo com suas limitações e uso ainda restrito por alguns grupos, Forte ressalta que os movimentos ou grupo menores, utilizam na mídia radical o poder de produzir seu conteúdo. Para ela, seria o exercício do poder de produzir e consumir informações que os veículos massivos, no qual se encaixa a internet, porém nas mãos de poucos, não dão visibilidade. Há uma maior circulação de informação na rede, sem intermediares de conteúdo.

Nem toda liberdade é plena. Pelo menos, tentam os governos que lutam para que o pouco de liberdade de expressão conseguido com a internet seja garantido por muito tempo. O governo americano, por exemplo, tenta de todas as formas aprovarem leis que restrinjam a atuação de alguns grupos na internet. Eles lutam que certos conteúdos sejam proibidos e retirados, assim como seus produtores respondam na justiça pelos mesmos. Projetos como SOPA, que seria uma forma de combater a pirataria na rede e o PIPA, na proteção da propriedade intelectual são debatidos com o propósito que seja aprovado. Para os EUA, a liberdade na rede é vista como ameaça a segurança nacional.

Movimentos ambientalistas como o Greenpeace utiliza a rede para movimentar as discursões que envolvem os assuntos de preservação e contra os crimes ambientais em todo o mundo. No Brasil, alguns movimentos são pioneiros no uso da rede para manifestar sua indignação e dar voz as suas bandeiras como o MST.
Diante de todas essas colocações, a liberdade de expressão é o que marca a mídia radical, por meio da internet. E essa liberdade estaria também na sua forma de produção. Sites colaborativos, como os da plataforma wiki, que liberam seus códigos fontes e conteúdos para serem editados por qualquer em torno do mundo na internet.

O Institute for Global Communications, fundado em 1987 é uma das referências nesta proposta de agrupar organizações e conteúdos de forma colaborativa na rede com o intuito de promover a disseminação de informações através de redes espalhadas pelo mundo.

Se a mídia radical vai sobreviver por muito tempo, vai depender da atuação dos movimentos, grupos e causas envolvidas e também no desenvolvimento de uma cultura mais crítica, participativa e inclusiva, pois não adianta queremos revolucionar o mundo, se não conseguimos transformar o que está a nossa volta. 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A liberdade de expressão semeia a intolerância e o desrespeito aos grupos diferentes?


Por Ismar Capistrano C. Filho

Dezenas de mortos, centenas de feridos e milhares ofendidos. Esse é o saldo de mais uma publicação de um veículo ocidental agressiva ao Islamismo. Os desrespeitos ao fundador da religião, no filme “A inocência do Muçulmanismo” do diretor estadunidense Alan Roberts, foram suficientes não só para causar a ira, os distúrbios e a violência, mas para fazer-nos refletir sobre o papel social da liberdade de expressão. Afinal esta garantia é um meio e um fim da vida social? Há critérios para seu exercício?